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Por que boato de que Messi é autista é desserviço para quem tem transtorno. 09/01/2023

Enquanto circula nas redes sociais o boato de que Messi seria autista, pessoas que têm o transtorno ou se dedicam a estudar a condição temem o que chamam de "romantização do autismo". Publicações que associam o desempenho do craque da seleção argentina à ideia de que ele seria um "gênio autista" se multiplicaram nos últimos dias. "Autistas fazendo coisas extraordinárias", escreveu uma usuária do Twitter, citando a vitória do jogador na Copa do Mundo 2022. "Messi, nosso gênio autista", disse outro perfil na mesma rede social. 

O argentino, contudo, jamais declarou ser autista. "O maior problema disso tudo é que muitas pessoas celebram Messi, enquanto atleta incrível, pois seria autista", criticou o psicopedagogo Lucelmo Lacerda, em uma publicação em seu perfil no Instagram, onde acumula mais de 100 mil seguidores. O especialista em educação inclusiva, e que é autista, enfatizou no post que, além de a informação ser falsa, é errado "romantizar e justificar o autismo como sendo composto somente por gênios". Lacerda comenta que esse estereótipo pode acabar tendo um impacto negativo em como a sociedade entende o que é o autismo, transtorno caracterizado por uma alteração no desenvolvimento cerebral que pode causar dificuldades na comunicação social e comportamentos repetitivos. 


O estereótipo de que autistas seriam gênios gera a impressão de que pessoas com autismo não precisam de políticas públicas, porque o transtorno é visto como uma coisa maravilhosa, afinal, são gênios, não precisam de apoio em termos de tratamento ou inclusão escolar. Mas, na verdade, é o contrário, porque indivíduos autistas, por definição, precisam de algum nível de suporte.


Como surgiu a fake news de que Messi seria autista? 


Surgiu em 2013, depois que o escritor e jornalista Roberto Amado publicou um texto enumerando características que "provariam" que o craque é autista. Ele citou a timidez ao interagir com a imprensa e o uso de dribles parecidos, o que seriam indícios de padrões repetidos --uma das características de quem tem autismo. O médico Diego Schwartzstein, que cuidou do craque durante a infância e a adolescência, classificou, em entrevista ao UOL, o assunto como "bobagem". 

É preciso lembrar sempre que o transtorno só pode ser diagnosticado por médicos, incluindo psiquiatras e neurologistas, e é feito com base em diversos fatores, como indicadores genéticos, dados do neurodesenvolvimento, comportamento e o funcionamento das habilidades sociais, emocionais e cognitivas. Depois de ser diagnosticado, o paciente é encaminhado para profissionais que poderão ajudá-lo a trabalhar melhor as limitações que o transtorno pode causar, o que pode incluir psicólogos e fonoaudiólogos, por exemplo. Quanto antes o diagnóstico ocorrer e a pessoa receber o tratamento, melhor.


Com informações do VivaBem UOL.

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